Quinta-feira, Outubro 15, 2009

poesia reunida



Há alguns anos me dedico a um certo gênero de literatura, a poesia. Embora saiba ser este um gênero falido, na atualidade, junto ao grande público de leitores. E ser um gênero cada vez mais incompreendido junto aos que ainda sabem ler...

Talvez me reste um pouco do espírito romântico e rebelde, sempre em busca da beleza e da verdade, ou simplesmente me encontre envolvido pelo eterno jogo do significar que as palavras me propiciam. Talvez eu sofra de um transtorno delirante que me lance num patológico mundo anacrônico de eterna nostalgia. Ou, talvez me faltem “ocupações sérias”, diriam algumas almas perdidas. Bem, que seja...

Antes, quis ser escritor, um romancista. Mas não tinha grande paciência para cultivar um romance e suas centenas de páginas, e fiquei com a poesia mesmo. E com um pouco dos contos, poucos a se contar nos dedos...

Para não faltar com a sinceridade, devo reconhecer que me falta muito do talento, embora pareça me sobrar persistência (ou insistência) por algo que desejo muito, neste caso, escrever.

Eis que resolvi reunir grande parte de minha produção poética, mais propriamente a produção em meio eletrônico, na qual me embrenhei nos últimos tempos, em um site, o qual apresento agora.

São 13 livretos, escritos ao longo de uns poucos anos, não-organizados. Alguns livretos foram vertidos da página impressa para arquivos multimídia, o que pretendo fazer com a totalidade de minha produção em um futuro próximo. Mas, não se preocupem, minha produção não é tão extensa assim, resta pouca coisa agora.

Então, se tiverem coragem, e um pouco de paciência, aventurem-se e leiam!

A poesia está morta. Viva a poesia!


Terça-feira, Setembro 29, 2009

olhar para trás



Depois de vagar por um sem número de fotos daquele perfil do orkut, eu a vejo. Os mesmos olhos, castanhos, imensos, em que, um dia, estive imerso. O mesmo sorriso. Só o cabelo está curto.

Ela, depois de tanto tempo.

Não pude deixar de pensar e lembrar de tudo o que se passou desde aquele tempo, principalmente naquele tempo. Tudo o que vivi, tudo o que senti. Nunca a dor e o amor estiveram tão próximos. E como eclipsei tantas lembranças por tanto tempo. Eu era ingênuo naquela época (ainda o sou, na verdade, e surpreendentemente tolo), e como estava apaixonado!...

Será que cresci o suficiente para aprender alguma coisa com tudo isto?

Não sei o que deu em mim para pensar nela naquele justo momento, depois de tanto tempo com as lembranças guardadas tão abaixo da consciência... talvez pelo fato de ser o dia de seu aniversário (isto foi a alguns dias)... mas, o que ocorre é que senti vontade de olhar para trás.

Nos dias futuros, haverá espaço para a saudade? Serei lembrado por alguém?

O futuro é uma questão irresoluta, circunscrita por temores sem lógica de um narcisismo jamais abandonado. E faz tanto sentido pensar sobre ele quanto faz esta frase anterior.

Permiti-me olhar para trás e pensar nela. Permiti-me sentir um pouco de saudade. E só.

Posso olhar para trás, mas isto não irá me prender. Não hoje...

Segunda-feira, Setembro 21, 2009

o fim, como sempre...

O fim é pretendido. Sempre olhamos para lá, com esperanças, com desolação. Sempre caminhamos sozinhos para lá. Não se engane, garoto! Um caminho longo e tortuoso, portas estreitas e áreas VIP. Sempre caminhamos... Não que estejamos realmente sozinhos (assim espero), mas, precisamos fazê-lo sozinhos.
(Será que na maior parte do tempo escrevo coisas sem sentido? Pense nisto!)
E a porta se abre em uma claridade que, a princípio, apenas nos cega, até que os olhos se acostumam e vemos, finalmente...

Segunda-feira, Setembro 07, 2009

a última amante - novos 'velhos' poemas



Continuando a revisitar 'velhos' escritos, lanço hoje a versão digital de "a última amante".
Quiçá uma apresentação mais adequada, carta enviada a C., onde apresento o mesmo em sua versão original impressa.

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Belo horizonte, vigésimo primeiro dia de setembro do ano do Senhor de 2005.


Minha Senhorita,



Tu és dona de minha estima. E é com sincero desejo de que esta missiva te encontre bem que lanço mão da pena e te escrevo. E no breve espaço desta folha de papel, expresso meu desejo, ainda, de que este bem se prolongue por vindouros dias.


Embora já me dissestes aguardar para a próxima semana novos poemas, pedido este que respondi com uma promessa homeopática, resolvi mudar de terapêutica e te enviar um volume completo. A bem da verdade, um parco volume que acompanha esta missiva, onde se reúnem uns poucos versos sob o título de “A Última Amante”. Peço que recebas este pobre fruto do trabalho hercúleo deste baço poeta sempre em busca da luz.


Como poderás perceber, são poemas simples, de uma tímida tristeza que, num romantismo tardio, tomam corpo.


Mas, se acaso se tornarem muito tristes meus versos e o crepúsculo se derramar sobre o horizonte, não permitas que a melancolia se faça presente. Saibas que minha felicidade surgirá neste instante em que meus poemas encontram este teus olhos, talvez curiosos, e neles, quem sabe, seu aguardado destino se cumpra.


Será que gostarás?


Eis que concluo esta missiva. E, por este instante, devo me calar, na constante expectativa de um breve reencontro...


Que te guarde a presença divina.

Terça-feira, Agosto 25, 2009

incomunicáveis



Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus — ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.


Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.


Porque os corpos se entendem, mas as almas não.



("Arte de amar" - Manuel Bandeira)

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alex says:
[devia ter te escutado]

Terça-feira, Agosto 18, 2009

como fazer desertos e influenciar tempestades, ou



O ínfimo.
Desejo sem nome passeia em sua pele, olhos bastante para criar o mundo. Pouco além do nada, passos na rua sob a sombra. A face trágica estampada no trapo de papel na parede. Sozinhos. Sem luz o céu, sem céu sobre. Ausências caminham ao lado dos pensamentos. Perfeitos estranhos. A embriaguês perdida entre as páginas noticiosas. Corre o motor ao longe e se afasta, até restar o nada. A sombra da música acaricia uma face imóvel. Sem nome para clamar. Perdidas horas de insônia.
Sozinho sempre.

Sábado, Agosto 15, 2009

a partir de onde penso



Aqui estou eu, sentado em frente ao computador. Eu estou respirando, embora não tenha consciência constante deste ato. Meus olhos vêem, meus dedos teclam. Processos cognitivos se desenrolam constantemente, ‘orquestrando’ este processo maior. Aqui estou eu. A consciência do Eu deu lugar a um sentido de realidade. Não penso em Eu como uma existência, o Eu tornou-se um lugar a partir de onde penso, percebo, sinto, existo. Não penso em Eu constantemente. Meu Eu pensado a partir do Eu é uma construção secundária. É como eu acho que sou, é como olhar para si mesmo, mesmo sabendo que não se pode ver por completo. Agora ocorre um julgamento sobre a razão, principalmente com relação ao que me leva a criar significados. Significar me dá paz. Eis o perigo, ou a salvação. Depende do que isto significa para mim, para você, que lê. Aqui estou eu. A percepção de que estou só. Só em outra ordem, que não ao estado relacional de meu corpo com o espaço circunscrito por minha percepção a que chamo de território. Estou só, porque as ligações aparentam estar ausentes. Ligações de outra ordem, sejam afetivas ou intelectuais. Olho para minhas mãos. Em um nível subatômico somos apenas energia que se configura, que se sustenta em estruturas sobre estruturas. Assim como tudo que me rodeia. No cerne de tudo está apenas a ordem, o arranjo que estrutura a energia. A criação é uma ordenação da energia. Agora penso que meu entendimento é extremamente limitado, pois sei que limitada é esta visão. Abruptamente, ou não, termino o que escrevo em uma frase que não se